domingo, 23 de janeiro de 2011

As medidas mercantilistas em Portugal

   Portugal, no século XVIII, atravessava uma grave crise económica (todos os países europeus queriam exportar e nenhum queria importar, portanto quase nenhum país comprava, e não havia exportações). Com a descoberta das minas de ouro no Brasil, no século XVI, Portugal conseguiu pagar as importações, mas este metal rapidamente começou a acabar e os portugueses viram-se obrigados a procurar outra forma de pagamento.
   Foi neste contexto que se aplicaram as primeiras medidas mercantilistas em Portugal. Em 1703 foi assinado o Tratado de Methuen, entre Portugal e Inglaterra. Segundo este tratado, a Inglaterra tinha de importar os vinhos portugueses e Portugal os produtos lanifícios de Inglaterra. Este tratado foi, em parte, responsável pelo atraso do desenvolvimento das manufacturas em Portugal, pois os produtos exportados eram agrícolas (portanto, Portugal manteve-se sempre um país rural) e os produtos importados eram manufacturados (o que impediu Portugal de se desenvolver a nível manufactureiro). O Tratado também fez com que  a balança comercial de Portugal se tornasse ainda mais desvantajosa, pois as importações de Inglaterra continuavam a ser maiores que as exportações para Inglaterra.
   Mas as medidas mercantilistas mais importantes para Portugal aconteceram no reinado de D. José I, com o Marquês de Pombal. O Marquês tomou medidas para resolver a crise económica: desenvolveu a manufactura em Portugal; aplicou leis pragmáticas (que proibiam as importações), fomentou as exportações, criou as companhias que protegiam os produtos e também criou subsídios para ajudar na produção de manufacturas. 
   Por causa do Tratado de Methuen os vinhos eram muito importantes para a economia portuguesa. Os taberneiros misturavam água para fazer maiores quantidades de vinho e como Portugal não podia exportar produtos de má qualidade, pois se assim fosse as exportações iriam acabar, criaram-se as companhias para a protecção da produção de vinho. Portugal foi o primeiro país a criar uma zona protegida para a protecção de vinho.
   Portugal também importava mão-de-obra e, ao fazer isto, não só aumentava a produção, como dava formação aos operários portugueses. Na época do Marquês de Pombal os jesuítas foram expulsos de Portugal e as suas terras passaram a pertencer ao Estado.

O Marquês de Pombal expulsando os jesuítas (pintura de Louis-Michel van Loo e Claude-Joseph Vernet, 1766)

    Apesar destas medidas terem sido importantíssimas para abrandar a crise económica de Portugal, foram aplicadas demasiado tarde. O Marquês de Pombal poderia ter sido inovador e ter desenvolvido as manufacturas que não existiam nos outros países, para aumentar as exportações, mas como só queria acabar com a crise económica, não pensou no futuro. O Marquês apenas desenvolveu as manufacturas de produtos que Portugal exportava e apesar de ter reduzido as importações, não aumentou as exportações, portanto a balança comercial não se afundou, mas continuou com um défice muito grande.

sábado, 22 de janeiro de 2011

A Revolução Industrial

   Na segunda metade do século XVIII, na Inglaterra, deu-se a Revolução Industrial. Esta havia sido preparada pela Revolução Agrícola, que permitiu que fosse libertada mão-de-obra dos campos, dirigindo-se para as cidades para trabalhar na manufactura.
  
Coalbrookdale foi uma das primeiras cidades industriais em Inglaterra.



    A máquina a vapor foi inventada por James Watt no século XVIII e foi uma das invenções mais importantes para o arranque da Revolução Industrial. Todos os cavalos e moinhos, que antes eram utilizados, foram substituídos por máquinas a vapor.

   Apesar da Revolução Industrial ter tido bastantes benefícios, trouxe também vários problemas. Em geral, as pessoas ficaram mais ricas e as condições de vida melhoraram, havia mais crianças que sobreviviam a infância e isto levou a que a população crescesse. Mas, houve também varias desvantagens da Revolução Industrial: o ambiente sofreu gravemente, a diferença entres os ricos e os pobres era enorme, frequentemente famílias inteiras viviam apertadas em apartamentos muito pequenos e as crianças eram usadas nas fábricaspara limpar as máquinas, pois eram muito pequenas e conseguiam entrar para dentro delas, pondo em risco as suas vidas


Esta imagem mostra a densidade populacional e a poluição que havia nas novas cidades industriais.

   Algumas das inovações que da Revolução Industrial foram:

  • A construção de canais, que permitiu que as cargas pesadas pudessem circular para onde fossem necessárias;
  • A máquina a vapor tornou-se a principal fonte de energia, substituindo o homem e outros animais no trabalho agrícola;
  • A produção passou a ser em massa;
  • Passaram a ser usadas máquinas que ajudavam a agricultura e mais mão-de-obra foi libertada para as cidades;
  • Caminhos de ferro foram construídos por Inglaterra. Os comboios permitiam que as pessoas e as mercadorias viajassem mais depressa;
  • Os barcos a vapor substituíram os navios. Estes não dependiam do vento nem das condições meteorológicas para andar e eram mais seguros;
  • O ferro substituiu a madeira como o principal material para a construção.

O arranque da Revolução Industrial

   Para além da Revolução Agrícola houve também outros factores que ajudaram na Revolução Industrial: o desenvolvimento dos mercados externo e interno, a fundação de instituições financeiras e a Revolução dos Transportes.
   Uma das grandes preocupações de Inglaterra era adquirir matérias-primas para desenvolver cada vez mais o mercado externo. Nesta altura, Inglaterra tinha uma balança comercial muito vantajosa (as suas exportações eram maiores que as importações). Este grande comércio internacional com as colónias ajudou na Revolução Industrial pois permitiu o suporte financeiro que ela necessitava.
   A Inglaterra queria também desenvolver o mercado interno. O mercado semanal substituiu o mercado sazonal e o seu abastecimento foi facilitado pela abolição das alfândegas internas. A abolição das portagens levou a um maior consumo e um maior desenvolvimento. A produção era em massa e aplicou-se a especialização: cada pessoa tinha uma só tarefa, ou especialização, o que permitiu uma maior produção. Uma maior quantidade de produtos tornava-os muito mais baratos.
   A Inglaterra fundou muitas instituições financeiras que garantiam um desenvolvimento económico. Os bancos possibilitavam a confiança do mercador e foram muito importantes nesta época.
   A acumulação de capital era investida no desenvolvimento do país, com uma burguesia inglesa extremamente dinâmica. A revolução dos transportes também ajudou  (construíram-se estradas mais acessíveis e propícias ao comércio interno). A Inglaterra libertou um grande número de mão-de-obra (do campo) e, deste modo mais pessoas foram trabalhar na manufactura, constituindo a pré-industrialização. 
   Todos estes factores trouxeram dinheiro para "suportar" a Revolução Industrial e sem eles a revolução não teria sido possível.

A Revolução Agrícola

   A Revolução Agrícola foi um movimento que se iniciou no século XVIII, na região de Norfolk, em Inglaterra. Sem esta revolução, não teria havido a Revolução Industrial, pois foi ela que permitiu a libertação de mão-de-obra, que trabalhava no campo, e que foi para as cidades trabalhar nas manufacturas.
   A Revolução Agrícola Inglesa teve várias semelhanças com a Revolução Agrícola Holandesa, embora a primeira tenha tido consequências maiores e mais importantes. Na Holanda, foram construídos diques e canais, drenaram-se pântanos, desenvolveu-se a criação de gado e aplicou-se a rotação contínua das culturas. Tudo isto levou à sua Revolução Agrícola. Em Inglaterra foram introduzidas medidas mais inovadoras na agricultura:
  • Sistemas quadrienais de rotação de culturas (as pastagens permitiram que houvesse mais animais);
  • Aumento das áreas cultiváveis (apropriação de baldios, que passaram a ser privados);
  • Prática de enclosures (os animais deixaram de destruir os terrenos, pois estes estavam vedados e mais mão-de-obra foi libertada);
  • Os pequenos proprietários ficam sem emprego e vão procura-lo às cidades (mais mão-de-obra libertada para ajudar o arranque da Revolução industrial);
  • Proletários;
  • Mecanização (anteriormente vigorava a especialização, com a mecanização liberta-se ainda mais mão-de-obra);
  • Aumento da criação de gado (aproveitamento das peles para as indústrias têxteis dos curtumes, e das carnes para a alimentação, que permite que a população esteja melhor alimentada).
Um exemplo dos enclosures em Inglaterra


    A Hegemonia Económica Brtitância

       No século XVIII a Inglaterra assumiu o domínio do comércio mundial e tornou-se na nova grande potência europeia.
       Uma das razões das razões que levaram a que isto acontecesse foi o facto do modelo político de Inglaterra ser uma monarquia constitucional ou parlamentarista (onde o rei tinha de submeter-se e aceitar as decisões dos membros do parlamento, que eram eleitos e maioritariamente burgueses, dando a esta classe social, mais poder), enquanto que o dos outros países era o absolutismo (em que o rei tinha absoluto poder e não consultava ninguém para tomar decisões que diziam respeito ao seu país). Isto ajudou a que a burguesia inglesa se desenvolvesse e se tornasse bastante mais influente.
       Depois de, em conjunto com a França e a Holanda, ter "libertado" o mar de Portugal e de Espanha, a Inglaterra formou um Império, que permitiu que o país enriquecesse e tivesse produtos que não haviam antes em Inglaterra. Nesta altura, o Império Português perdera quase todo o seu prestígio e o país encontrava-se numa situação económica precária. Era aliado de Inglaterra e esta, alugava-lhe barcos para poder trazer os produtos das suas colónias, pois os ingleses, graças ao desenvolvimento da mão-de-obra, produziam tantos barcos, que podiam dispensar alguns para alugar aos portugueses, e estes começaram a ficar dependentes, a nível económico da Inglaterra.
       O Acto de Navegação, de 1651, baseava-se em ideias mercantilistas e permitiu que a economia britânica fosse protegida da expansão comercial holandesa, favoreceu crescimento da marinha mercante e o desenvolvimento da indústria naval e de armamento e permitiu o desenvolvimento do comércio, bem como a expansão colonial inglesa. Decretado por Cromwell, o Acto de Navegação afirmava que qualquer produto que entrasse ou saísse de Inglaterra, apenas poderia ir em barcos ingleses e que 3/4 da população tinham de ser de origem britânica. Isto levou a que a população inglesa tivesse mais emprego e que a própria Inglaterra se desenvolvesse a nível manufactureiro. Para além disto, o rei tinha a certeza que os tripulantes o defenderiam e não lhe roubariam os produtos, por mais de metade da tripulação ser de origem britânica.
       No século XVIII verificou-se, também um aumento da população inglesa, pois houve um melhoramento das condições de vida. Através de inovações, como a criação de esgotos, as condições higiénico-sanitárias rapidamente melhoraram e houve grandes progressos na medicina. A mortalidade infantil também diminuiu e as crianças passaram a ser melhor tratadas, o que permitiu uma diminuição da mortalidade em geral e o aumento da população. As crianças deixaram de ser vistas como força de trabalho e passaram a ser a principal preocupação das famílias.
       O comércio colonial e o desenvolvimento do comércio interno também ajudaram o crescimento demográfico. A Inglaterra foi o país que mais cedo se transformou num espaço económico unificado,onde o consumo interno podia expandir-se e começou a haver uma uniformização de preços e do mercado. Também não havia alfândegas internas, o que retirou os entraves ao comércio e permitiu a livre circulação dos produtos pelo país. Foram criadas também instituições financeiras que favoreceram o sucesso inglês: a Bolsa de Valores e o Banco de Inglaterra, onde se realizavam operações de apoio ao comércio, emitiam-se papel-moeda e financiava-se a actividade comercial.

    segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

    O Vigor de Amsterdão

       Por todo o Globo a Holanda afirmava-se como a nova grande potência europeia.
       A Holanda queria criar um Império, e por isso, em conjunto com a Inglaterra e a França "forçaram" Portugal e Espanha a "libertar o mar". Assim a antiga doutrina do mare clausum foi substituída pela nova doutrina do mare liberum.
       A Itália passou graves épocas de fome pois os estados italianos estavam em constante guerra (e isto enfraqueceu bastante o país, tendo o comércio passado para segundo plano). Desta maneira a Holanda substituiu a Itália como o grande comerciante do Mar Mediterrâneo.
       Os Holandeses também conquistaram a feitoria da Mina e a feitoria do Cabo e começaram a comercializar escravos. Também chegaram ao continente asiático, onde "dominaram" o continente com grande facilidade.
       A localização de Amesterdão era também muito vantajosa, pois situava-se no centro da Europa e era fácil chegar à cidade para comercializar. Nesta cidade, durante o século XVII, situava-se a mais importante praça de comércio, onde a burguesia dinâmica holandesa se ocupava de favorecer a liberdade mercantil, de garantir o monopólio dos produtos coloniais, de modernizar as práticas comerciais e de criar facilidades para o transporte de mercadorias. Através do dinamismo da actividade mercantil foi também possível o desenvolvimento dos mecanismos e das instituições financeiras (a criação de companhias por acções, a primeira bolsa financeira e o Banco de Amesterdão, cujas actividades eram tão lucrativas que se tornou em meados do século XVII, no banco central Europeu).
      
    A Praça Dam foi a mais importante praça comercial da Europa.


       A Holanda vendia mais barato para vender mais e obter um maior lucro. Este país levava produtos que existiam em quantidades muito pequenas nessas regiões (como a manufactura em Portugal) e trocava-os por produtos existentes em abundância nesses países (como os cereais, que eram poucos na Holanda, mas que existiam em grande quantidade em Portugal). Em Portugal, os holandeses trocavam os seus produtos por (cereais e manufactura) por especiarias e sal, em Espanha trocavam os mesmos produtos pelo ouro dos espanhóis.
       Portanto nos finais do século XVII Amesterdão controlava uma grande rede de circuitos comerciais, detinha o monopólio das mercadorias que circulavam pela Europa e criara sólidas e inovadoras instituições financeiras.

    O Avanço tecnológico e agrícola da Holanda

       O povo holandês era constituído em grande parte por imigrantes, que tinham saído do seu país e imigrado para a Holanda devido a perseguições religiosas. Por esta razão, o povo holandês trabalhava com vontade na agricultura e na mão-de-obra, que se desenvolveram muito depressa.
       Na agricultura os holandeses utilizaram técnicas inovadoras como a construção de sistemas de diques e canais para aumentar a superfície cultivável, a utilização de moinhos de drenagem, o desenvolvimento da pastorícia e da criação de gado e a utilização do sistema de rotação contínua das culturas.
       Tecnologicamente a Holanda também se mostrava mais avançada pois através da construção de diques e de moinhos, desenvolveu a manufactura, e no século XVI já havia muitas indústrias na Holanda (têxteis, de instrumentos de de precisão, metalurgia, manufacturas e mapas náuticos, produção de papel, cerveja, destilaria, porcelanas finas, entre outras). As indústrias tinham processos produtivos muito modernos, havia mão-de-obra especializada para cada tarefa e a qualidade dos produtos era reconhecida. Também desenvolveram tecnologicamente a indústria naval, aperfeiçoaram as técnicas navais e introduziram novos tipos de barcos, o que levou a que a frota holandesa se tornasse na melhor equipada frota do Mundo. Era também pelos barcos holandeses que se faziam as trocas comerciais entre os continentes.
       Todos estes factores levaram a que a Holanda tivesse um avanço no comércio sobre o resto da Europa pois estava mais desenvolvida a nível agrícola e tecnológico.